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CityZeen, June 27 2025

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O clube mais sustentável da América Latina 

Olá! 

Este desenho é uma obra de Anja Rozen, uma estudante eslovena de apenas 13 anos em 2023, escolhida entre mais de 600 mil crianças ao redor do mundo para criar uma representação artística da paz. Ela é a vencedora do concurso internacional Plakat Miru.

Com sensibilidade rara, Anja afirma:

"Meu desenho representa a Terra que nos conecta e nos une. Os seres humanos são entrelaçados. Se um desiste, os outros vacilam. Estamos todos conectados à nossa planeta e uns aos outros, mas, infelizmente, mal percebemos isso. Outras pessoas tecem, ao meu lado, o fio da minha própria história, e eu teço a delas."

Essa mensagem profunda e poética nos convida a lembrar algo essencial: a interdependência entre os seres humanos e a Terra é um princípio ancestral que muitos povos originários da América Latina já compreendiam há milênios.

Desde os primeiros habitantes do continente latino-americano — dos Andes à Amazônia, do Cerrado às florestas da Patagônia — os povos originários viviam em harmonia com a natureza, com uma noção clara de pertencimento ao todo. A Terra não era vista como algo a ser dominado, mas como um ser vivo, mãe de todos os seres — a Pachamama dos povos andinos, por exemplo.

Assim como Anja expressa em seu desenho, a vida humana sempre foi tecida em rede, em ciclos de cuidado, reciprocidade e respeito. As antigas comunidades latino-americanas sabiam que o que afeta um, afeta todos. Essa sabedoria — hoje quase esquecida por muitos — é a chave para enfrentarmos os desafios globais atuais.

O gesto de uma jovem da Eslovênia, unindo arte e consciência, ecoa o que os povos indígenas das Américas sempre souberam:

Só há paz verdadeira quando há equilíbrio entre humanos e natureza, entre o eu e o outro, entre o passado e o futuro.

Se ao menos todos pudéssemos compreender isso — como diz Anja —, poderíamos, talvez, reencontrar o caminho do bem viver (Sumak Kawsay ou Buen Vivir) que pulsa desde o início dos tempos nesta terra latino-americana.

A importância da história não ocidental reside na valorização de outras formas de conhecimento, culturas e civilizações que também contribuíram de maneira fundamental para a formação da humanidade. Durante séculos, a história ensinada e registrada teve como foco principal a perspectiva europeia, muitas vezes marginalizando — ou mesmo apagando — as vozes, saberes e experiências de povos originários da África, Ásia, América Latina e Oceania.

No caso específico do Brasil, a história indígena tem sido amplamente negligenciada pelos currículos tradicionais. No entanto, novas descobertas arqueológicas, antropológicas e linguísticas têm contribuído para recontar essa história a partir de uma perspectiva mais justa e plural.

Povos indígenas antes da colonização

Quando os portugueses chegaram ao território que hoje chamamos de Brasil, em 1500, estima-se que havia entre 2 e 5 milhões de indígenas, distribuídos em centenas de povos diferentes. Algumas estimativas mais recentes e audaciosas indicam que esse número poderia chegar a 8 ou até 10 milhões de pessoas. Esses povos falavam mais de 1.200 línguas e dialetos, e estavam organizados em estruturas sociais complexas, com práticas agrícolas, comerciais, espirituais e políticas próprias. Esses dados são reconhecidos por instituições como o Museu da Língua Portuguesa.


Avanços e novas descobertas

Nos últimos anos, escavações arqueológicas na Amazônia, no Xingu e em outras regiões têm revelado grandes redes de aldeias interligadas por estradas, com sistemas de irrigação, manejo de solo (como a terra preta de índio), e evidências de agricultura sofisticada. Estudos liderados por arqueólogos como Michael Heckenberger mostram que os povos indígenas do Xingu mantinham centros urbanos organizados, o que contraria a visão eurocêntrica de que eram nômades "primitivos".

Além disso, a linguística histórica tem mostrado que muitas das línguas indígenas guardam conhecimentos ecológicos milenares, sendo fundamentais para a conservação da biodiversidade. Isso reforça o valor das culturas originárias como guardiãs do conhecimento sobre a natureza e o equilíbrio ambiental.

Por que a história não ocidental importa?

Reconhecimento da diversidade humana: Compreender outras histórias é reconhecer a multiplicidade de formas de viver, pensar e organizar o mundo.

Justiça histórica: Dar voz às populações que foram silenciadas é uma forma de reparar violências históricas e fortalecer identidades marginalizadas.

Sustentabilidade e futuro: Os saberes tradicionais indígenas são essenciais para enfrentar desafios contemporâneos como as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e o colapso ambiental.

Descolonização do conhecimento: Ao valorizar a história não ocidental, combatemos a ideia de que apenas a Europa ou o "Ocidente" são centros produtores de conhecimento legítimo.

Reescrever a história a partir de uma perspectiva não ocidental é um passo necessário para construir uma sociedade mais plural, justa e consciente do seu passado. A redescoberta das civilizações indígenas do Brasil e de outros continentes mostra que há muito mais riqueza, complexidade e inovação fora do eixo tradicional da história eurocêntrica. Valorizar essa memória é fundamental para o presente — e, sobretudo, para o futuro.

Com interligação !

Celina


Cada paso merece respeito e ética para isso nada melhor que poder ter bens econômicos 







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